Coragem Postado por Rodrigo Vinhas em nov 11, 2018

Coragem é antes de tudo uma decisão.

"A ação nem sempre traz felicidade, mas não há felicidade sem ação" Benjamin Disraeli

Recentemente, um mentor meu me disse que ter coragem é uma decisão. Aquilo ficou na minha cabeça e comecei, como um pequeno experimento, a fazer essa escolha todos os dias. Escolher o que me assusta, em vez do que é confortável, faz o meu sentimento de medo diminuir. Entendi que a maioria dos meus problemas vem do medo de ter medo e o quanto isso afeta tudo.

Em um relacionamento, por exemplo: existe uma situação que te incomoda com uma pessoa próxima a você, pode ser seu cônjuge, um amigo, um sócio, tanto faz. Você decide não fazer nada, afinal é melhor evitar o conflito. A situação que te incomoda torna-se mais intensa, e a sua angústia piora. Sem que perceba, você já está tratando a pessoa de uma maneira diferente por causa disso e, no final, um relacionamento que poderia ser produtivo ou apaixonante ou profundo para ambos, acaba de uma maneira abrupta e deixando traumas, porque existia uma comunicação não verbal velada, e o nosso inconsciente grita coisas horríveis para o outro de maneira muito mais alta do que qualquer palavra poderia ser proferida.

E nós, enquanto seres humanos, quando sabemos que uma atitude nossa não está alinhada com os nossos valores (mesmo quando não sabemos disso na esfera consciente), nós nos apequenamos. A nossa estima por nós mesmos diminui e, a partir deste momento, passamos a gostar menos de nós mesmos e queremos ficar na cama umas horas a mais, dando aquela olhada infinita nas redes sociais, para nos entreter de uma maneira vazia, rolando a timeline, em vez de agir em relação à vida e enfrentar de frente os problemas que estão bem diante de nós.

Todas as vezes em que eu decido ter coragem e agir, apesar do medo, o resultado é incrível. Por exemplo, eu nunca fui muito sociável, sempre gostei de dormir cedo e acordar cedo, mas eu me sentia mal em falar que não queria sair à noite com os meus amigos. Hoje em dia, eu entendi que falar não é trocar popularidade por respeito e, de mais a mais, quem é meu amigo mesmo topa me encontrar no parque em um horário que funcione para ambos, tomar café da manhã ou ir à livraria.

Outro medo que superei, foi o de agulha. Eu vivia adiando exames de sangue para não ter que encarar a pontuda, mas ao olhar para o medo de frente, bem no olho, ele acaba se tornando menor. Aí me empolguei e fiz duas tatuagens.

Tem uma questão que tem tudo a ver com isso, que é a de conhecer a si mesmo e o que funciona pra você; tanto os seus desejos mais profundos, como a resistência do seu estômago para enfrentar as consequências dos riscos que você assume.

Em uma das empresas que eu fundei, a Egratitude, existe uma cultura muito forte de hard work, a galera trabalha muito. Somos uma startup com dois anos de existência, que atua no segmento de educação, gerenciando pouco menos de meia dúzia de cursos on-line, e já tivemos aproximadamente 20.000 alunos. E já faz um tempo que eu saí da parte executiva da empresa. Temos agora o CEO, Lucas Puerto, que faz uma boa parte do trabalho muito melhor do que eu. E me afastando do dia a dia da operação, eu consigo agregar valor para a empresa, com relacionamentos, trazendo contas novas, trabalhando na parte estratégica e ampliando o meu repertório, atuando como conselheiro e mentor. Mas foi difícil pra mim quebrar esse status quo, de não aparecer na empresa todos os dias. No início, fiquei preocupado com as opiniões externas, mas, hoje em dia, vejo que foi a melhor decisão pra mim e para a empresa.

Outra coisa difícil é me expor e escrever. Por isso, decidi publicar este artigo com a palavra Coragem. Também tomei coragem pra finalmente começar a produzir conteúdos que tenho vontade há tanto tempo, gravei meus primeiros podcasts, lancei meu canal no Youtube e estou escrevendo meu primeiro livro sobre minimalismo para lançar em 2019.

Um jeito bem simples (mas não fácil) de testar essa sensação, é tomar um minuto de banho gelado de manhã. Primeiro, porque isso te coloca num estado de absoluta presença, afinal de contas é difícil pensar em outra coisa quando um jato de água gelada jorra em cima de você. Em segundo lugar, fica mais fácil enfrentar as dificuldades que você tem pela frente. Suponha que você tem problemas com concentração. O que é ficar uma hora concentrado, lendo um livro, depois de tomar um jato de água gelada na cara, às 5h da manhã (ou seja, lá a hora que você acorda)?

Isso também ajuda a constituir o músculo da autodisciplina, que te leva à ação.

 

Agir, apesar do medo, agir, apesar do desconforto. Sério, isso dá uma energia incrível.

Perguntaram a Demóstenes, um dos maiores oradores de todos os tempos em Athenas – que somente com o clamor da sua voz conduziu a Grécia à guerra – , quais eram os três elementos que mais ajudavam na arte da oratória, e ele, que costumava treinar discursos com pedaços de pedregulho na boca, respondeu: “ação, ação, ação”.

Uma coisa que me dei conta é que o ambiente influencia muito. As pessoas que estão ao seu lado influenciam muito. O tempo todo me pergunto se aquela pessoa na qual eu estou investindo o meu tempo está me puxando pra cima ou pra baixo. E o meu papel? Estou fazendo o melhor que posso puxando-a pra cima ou, na minha pior versão puxando-a pra baixo?

A partir do autoconhecimento, eu tenho conseguido passar mais tempo na minha melhor versão do que na minha pior, apesar da pior continuar me visitando com mais frequência do que eu gostaria de admitir.

Como isso se encaixa nos negócios? É muito fácil, nos dias de hoje, chegar ao trabalho e ficar embromando on-line (quem nunca?). Você começa a fazer algo que realmente gera valor para o seu negócio, mas aí você para, bate um papo com alguém no escritório, olha o seu e-mail (o que é considerado trabalho), checa seu WhatsApp (o que também é considerado trabalho), dá uma conferida no Instagram (que até pode ser considerado trabalho) e, no final do dia, você percebe que se passaram vários e vários dias em que você não produziu nada que realmente gerou valor para o mundo e que seja difícil de ser replicado. Simplesmente ficou participando de um monte de reuniões nas quais não foi decidido nada de realmente importante, e trocou centenas de mensagens instantâneas que não levaram a lugar nenhum. Quando eu passo um dia assim, e são vários ao longo do ano, a minha autoestima vai lá pra baixo (pelo menos, quando percebo) e o meu ato de coragem, nesse caso, é me perguntar o que eu poderia estar fazendo pra gerar valor para o meu negócio e para a minha vida nesse momento?

Esses medos velados, às vezes, são mais difíceis de serem enfrentados e essa tem sido a minha batalha agora.

"Escrever bem é contar a verdade." Anne Lamott

No final, coragem (como no sentido original do latim) é agir com o coração.